Eu me lembro do rio. Ele passava bem aqui. Bem no lugar onde construíram a porteira verde. Ele era a nossa companhia de fim de tarde.
O pai saia para fazer entregas de cidade em cidade. A mãe cuidava das meninas pequenas. Zenaide e eu cruzávamos dez risos e lá estava o rio: cortado pela madeira do trapiche. Não havia vergonha do passo. Não havia obrigação da venda. Só havia alegria, marronzinha como o amigo.
Depois do banho, o alambique de cobre era o pique. O espaço, o esconde-esconde. O tempo inexistia no caminho. O fim era o cheiro da janta.
Antes de dormir, pela janela o rio nos espiava. Parecia triste, sua cor fazia-se escura, dura. Anunciava a despedida certa. Logo seria a venda do sítio e a mudança. No novo lar, não existiam tardes nem brincadeiras, apenas trabalho. O dia inteiro de balcão, contando comércio e salgando tainha.
O rio foi a nossa infância.



Não teve jeito. Entrou bem dentro do coração. beijo.
Fe, bela escolha de palavras, bela escolha de sentimentos… Parabéns, muito poético. Beijos
Carregado de saudosismo e beleza. Amei. Por um momento me senti vivendo aquilo tudo.
Beijo.
Fernanda,
Linda metafora.
Uma linda maneira de pensar sobre a preservacao do meio ambiente.
bjs
F
Oi Fë,
Adorei o texto, molhado de saudades.
Acho a saudade um sentimento nobre, só temos saudade daquilo que é importante para nós.
Vocë fala de uma saudade pessoal, mas também da infäncia, da inocëncia, da possibilidade de viver um dia até o seu final, um dia narrado em rios, alambiques.
beijos
Rico
Oi Fê, eu senti uma suavidade, certa melancolia. Bonito. Parabéns! Beijos!
Hermoso, amiga. Cuánta nostalgia trasmite…
Fe, tem um estilo sendo desenhado ai… tá lindo, sensível e muito ‘visual’. Me fez lembrar uma coisinha do Mario Quintana:
Quem disse que eu mudei?
Não importa que a tenham demolido:
A gente continua morando na velha casa
em que nasceu.
Bj, continue escrevendo, e me mandando! Lívia