O ruído

By Fernanda Grigolin

Eu me olhei no espelho e vi o barulho do mar.  Igualzinho ao da concha da  infância.

A concha era a tua herança. Ela  ocupava a parte privilegiada da sala: a estante que  o  vô  trouxe  de Palmital.  No dia da faxina  o pano  delicado a lustrava com o mesmo apreço que se faz com uma relíquia.

Ás vezes pra sentir a tua presença eu subia na cadeira da sala e colocava o ouvido bem pertinho da concha e escutava  a alegria.  Fazia às escondidas, sozinha.

Um dia o  ritual foi quebrado no desajeito.  A vó exigiu que eu não afundasse mais a palha da cadeira e no rompante da decida despedacei a concha.  O mar caiu no carpete.

9 Respostas para “O ruído”

  1. Vanessa Disse:

    Nossa Fê que coisa linda, chega a ser poetico, vc leva jeito mesmo para a coisa, parabéns…

  2. Grazi Disse:

    Senti como se os meus pés se molhassem. Posso virar sua fã? hehehe Bjs, Grazi

  3. patrícia Disse:

    arrepiei…se voce parar de escrever vou fazer o mesmo que aquela fã fez com o escritor no filme Misery…te cuida, malandra! lindo de chorar. beijo

  4. vickvick Disse:

    lindo de doer…

  5. Fernanda Grigolin Disse:

    Obrigada, lindonas do meu coração. VikVik que delícia receber teu primeiro recadinho aqui. Saudade de vc, vi. Bj

  6. Juliana Disse:

    Lindas palavras/sentimentos, Fer. Me deu a impressão de algo perdido, que ficou para sempre na infância, mas que tá sempre ao nosso lado…
    Você escreve muito bem! Bj.

  7. Juliana Felipe Disse:

    Que coisa mais linda… arrepiei… adoro tua escrita…
    bjos

  8. Dani Disse:

    Lindo demais!!!
    Vc é mto talentosa!!!
    Bjos

  9. The noise « Retratos da Garoupa Disse:

    [...] Versão original em português [...]

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