Por que será que existe uma estação de metrô em São Paulo chamada Imigrantes/Santos que não é nem na Imigrante muito menos em Santos?
É um erro no mínimo “geográfico”. Tudo bem que a estação Alto do Ipiranga não fica no Ipiranga, mas convenhamos Santos é outra cidade e a Imigrantes está a um quilômetro da dita estação.
Os amantes do futebol acham minha preocupação super ínfima. O importante é que todos os times fortes de São Paulo foram homenageados pela Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos. A medida agradou a palmerenses, corinthianos, santistas, e os torcedores da Portuguesas (há um nome específico para os torcedores da Lusa?). Todos têm sua estação de metrô.
Eu não sou fã de futebol, dá para contar nos dedos as vezes que eu assisti uma partida, nem na Copa do Mundo eu encarei um jogo completo. A única vez que eu fui a um estádio ver um foi com um ex- namorado e não me lembro do placar. Só sei que o jogo era do Corinthians com um time menorzinho, era a época que o grande time estava na segunda divisão.
Apesar da minha ignorância assumida em relação à paixão nacional, a homenagem ao Santos em uma estação na Avenida Ricardo Jafet, no Ipiranga, não faz nenhum sentido para mim. Será que o Ricardo Jafet era santista ou os ipiranguistas são super santistas?
O Ricardo Jafet era filho de imigrantes libaneses, foi presidente do Banco do Brasil e ministro da economia da era Vargas. A família Jafet para quem não sabe foi uma das primeiras famílias de industriais do Brasil. Na época que a industrialização brasileira era apenas de bens de consumo diários, os Jafet eram donos das tecelagens no Ipiranga. Eles moravam em casas monstruosas na parte mais nobre do bairro.
O espaço do Ipiranga foi pensado de forma sectária (e elitista) e dividido da seguinte forma no início da industrialização: na parte alta, próxima ao Museu do Ipiranga, moravam os ricos e os operários habitavam a parte baixa, em casas geminadas, muitas vezes construídas pelos industriais e financiadas a “suaves” e longas prestações aos operários. As fábricas, para “facilitar” a vida dos trabalhadores, eram na parte baixa. Assim ninguém chegava atrasado no trabalho… Que ironia!
Depois das legítimas e fortes greves operárias na década de 20 (que mobilizaram a Lapa e a Mooca também) o estado, em especial do primeiro governo Vargas, resolveu estabelecer uma politca assistencialista de direitos sociais com construção massiva de casas e de equipamentos de saúde. Os hospitais, ao menos no Ipiranga, eram vinculados à igreja católica e todos os funcionários fabris tinham que ser cadastrados no Círculo Operário, um órgão pelego ao extremo. Uma medida de mestre para abafar a crescente agitação que os anarco-italianos promoviam pelas ruas do grito.
E o futebol? Na época anarquista, o Ipiranga também possuia um montão de clube de várzea, um tornou-se o tradicional Clube Atlético do Ipiranga.
Bom mas o que tudo isso tem a ver com o Santos e o metrô? Talvez um jogador ipiranguista do Atlético tenha migrado para o Santos e feito fama e fortuna.
Saquei!
Poxa, precisei de uma grande digressão para entender a visão histórica do governo do estado de São Paulo. Os tucanos são “ótimos” historiadores e geógrafos!