Arquivo da categoria ‘Amor, sempre o amor’
outubro 10, 2009
Fui de taxi com Geraldo.
Comi pistache depois da lua asteca.
Várias mulheres compactuam angústias alegres comigo nas terras chilangas:
Tania, Camila, Perla, Ana, Frida, Tina, Maria Emília e Gioconda. Influenciam.
Numa menor intensidade busco homens. Eles pegam na minha mão e penetram desafinados.
Malditos homens que fazem fotocópias e que perguntam se sou casada.
Me afasto do outro e busco vários. Até o professor parece com ele. Treme e é magro. Lastimosamente asi es. Heridas. Fracturas incuráveis como a luxação.
Faz sentido amar outra vez.
Faz sentido falsear o outro joelho.
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julho 17, 2009
Meus refúgios eram os livros e meu pequeno gravador.
Vivia de imaginar historinhas e as lia para as fitinhas.
Recortava as fotos e as pregava no colorido.
Gostava da gigante bola e do jogo dos sete erros.
Meu avô era meu grande compa. Saudades.

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junho 26, 2009
Eu me apaixonei por um filósofo. O mesmo que não se importa com as minhas botas rachadas.
Aquele de dente torto, corpo grande e cigarros inteligentes. Aquele que relê trechos de Dostoievski e Kafka antes do sonho. Aquele que fala com as minhas idéias.
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junho 19, 2009
Tenho ausências distribuídas pelo mundo.
Com elas converso sobre sentimentos.
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junho 7, 2009
Ela me intimida. Talvez pela beleza. Talvez pela segurança. Talvez pela inteligência. Talvez por falar o que sente e pensa.
Ontem ela me abraçou. Não retribui. Os peitos dela me desafinam. Ela ficou sem graça. Voltou a fazer o que fazia e também se intimidou. Chateou-se, eu percebi.
Nunca mais tomará tal atitude. Mal sabe que eu nascera de novo naqueles 10 segundos de desajeito.
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junho 2, 2009
Tudo que aprendeu foi com a vida. Simples e honesto. Doce e ingênuo. Nem notava que todas as viúvas do prédio caiam de amor por ele. Muito bonito, mesmo depois dos 60 anos mantinha o porte atlético que honrava o apelido da juventude: Luta. Algo incoerente pois nunca se meteu em brigas nem bateu em nenhuma das filhas. Era bom de queda de braço, apenas ai mostrava a sua força.
Transparente, não disfarçava seus sentimentos. Falava o que tinha para falar e chorava quando se fazia necessário. Talvez soubesse desde sempre que sensibilidade é atributo humano e não tem gênero.
Quando eu era pequena, ele me trocava, dava comida e me levava para escola. Saíamos uma hora antes da aula. O pré era quatro quadras de casa. Eu detestava chegar cedo, não podia brincar na areia. Então, todo dia depois do almoço atrasava o relógio da sala. Por minha culpa, hoje o cuco é apenas um artigo de relíquia familiar.
Teimo em dar corda no relógio em sua homenagem. Eu tinha 18 anos quando o meu avô materno morreu….
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